sábado, fevereiro 28

Folhas

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Boiavam sem rumo no lago entre ondas.
Tão forasteiras quanto eu.

quarta-feira, fevereiro 25

Elas

clarisse destrói
rachel constrói
florbela espanca

sexta-feira, fevereiro 20

Pitaco

Uma amiga recomenda
a barba que a nova amiga
rejeita.

O caixão não foi aberto
a pedido do morto.

quarta-feira, fevereiro 18

À curva

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Te deixo passar por mim
só para te ter ao meu lado
por um curto instante.

abro mão de te ver
abro mão de te ter
abro mão de te tocar e beijar
Pr'ao meu lado te ter.
Pr'ao meu lado te ver.
E ao meu lado te sentir passar.

sábado, novembro 1

Homem de Lata

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No banho, tanto esfreguei o nariz em círculos
com a palma da mão,
que senti o odor - sangue.

Em não muito tempo

e aos poucos,

escorreu-me de uma narina

o líquido

amarelo

ferroso.

Enxaguei.
Para me assegurar de que limpo agora estava,
tapei a outra narina com o polegar e expirei com força.
Barulho tal qual pistão - quem diria?
Ao sair, quase não reparei que minha toalha era
uma flanela úmida com óleo e que
eu mesmo exalava
puríssima fragrância
automotiva.

Pronto para usar do coração que não havia.

terça-feira, setembro 9

Quatro Versos

Quatro Versos, Quatro Mãos ou O nome de alguém
tocar-te-ei o útero com as mãos
não com as minhas
mas com as do filho que é teu
e meu

terça-feira, agosto 12

Enquanto não despejo nem engulo

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Acho que vejo o mar
Um mar que me pesa nos olhos

segunda-feira, agosto 11

Aguanauta

.
Vê-se as cabecinhas logo ao entrar
Atentas, erguidas, branco-morenas
Quietas, austeras, giganto-pequenas
Bóias-vivas que são, sabem nadar

(Cad'alma usa da prancha que tem
a minha sou eu, de fibra de carne
lisa, alva-vermelha, semi-nua
em que a tique-taque palpita um coração)

São muitas disputas, eu não compito.
Peixes não falam, diálogo não há.
Morrer pela boca, sina do mar.
Quero mesmo é só ser, eu manuscrito.

(Bem como se dá na terra que é dura
organizar é mera tentativa
e aos poucos a beleza sucumbe
àqueles que mal ousam mergulhar)

Só não quero estar viva para ver
especular de mobília no mar

domingo, agosto 10

Marina

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E num mergulho
faço-me toda azul.

faço-me reta
faço-me curva
faço-me água, sal, película e ar
faço-me superfície e profundeza

Não mais me distingo
E feito segredo que se revela
Conspiração que se desfaz
O que acontece no mar fica um pouco em mim
E o que acontece em mim fica por inteiro no mar.